Sou tomada por uma sensação estranha toda vez que entro naquele prédio.
No elevador antigo as pessoas nauseantes comentam superficialidades enquanto se olham no espelho.
Chego ao 8º andar e o corredor parece não ter fim. As portas das salas se movem embaçando minha visão.
Caminho 30 minutos até chegar à sala. Abro a porta e o que vejo é uma multidão de gente. Todas miseraveis em busca do sonho medíocre.
Sinto nojo. Sei que todas elas serão humilhadas em dentro de 30 ou 40 minutos.
Sento à minha mesa e aguardo as ordens do dia que serão modificadas a cada 5 minutos.
O escárnio começa. Ouço tudo com atenção, observo e anoto os detalhes. Não posso me esquecer dos detalhes, eles fazem toda diferença.
Uma enorme porca corcunda vem em minha direção com lábios vermelhos. Tenho que ganhar velocidade.
De repente não escuto mais nada. Minha cabeça começa a crescer e explode num grito gutural.
Cessam os movimentos. Miolos por todas as partes.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Estranha Mulher
A estranha mulher saltou das páginas de Kafka e agora parece me perseguir.
Suas mãos continuam finas, a cintura já não é a mesma.
Os dedos perderam o destaque, agora são os olhos que lhe sobressaem: duas grandes minhocas prontas a fagocitar-me ao menor descuido.
A estranha mulher não é mais passivamente histérica, hoje ela estranhamente quica querendo assediar-me.
Secretamente rio de sua ignorância confrontando-a sem nenhum pudor e muito gosto com Sophia.
A estranha mulher é tomada pela Hybris.
Seu desejo é tornar-se toda minhoca.
Pobre mulher...
Suas mãos continuam finas, a cintura já não é a mesma.
Os dedos perderam o destaque, agora são os olhos que lhe sobressaem: duas grandes minhocas prontas a fagocitar-me ao menor descuido.
A estranha mulher não é mais passivamente histérica, hoje ela estranhamente quica querendo assediar-me.
Secretamente rio de sua ignorância confrontando-a sem nenhum pudor e muito gosto com Sophia.
A estranha mulher é tomada pela Hybris.
Seu desejo é tornar-se toda minhoca.
Pobre mulher...
terça-feira, 31 de julho de 2012
A obsessão do momento
Nesse momento, a minha obsessão é não beber um líquido obsessivo, sabe aquele preto que ninguém esquece? Pois é...
Na verdade, a minha obsessão não é pelo preto, é pelo branco que nem é todo líquido: talvez 80%, mas é bem sólido e alto.
Ah, esse branco...
Por causa desse branco eu renunciei ao preto, que nem é sólido, é só líquido.
No entanto, o problema todo é que o líquido parece sólido, e não é nem branco, nem preto.
Na verdade, a minha obsessão não é pelo preto, é pelo branco que nem é todo líquido: talvez 80%, mas é bem sólido e alto.
Ah, esse branco...
Por causa desse branco eu renunciei ao preto, que nem é sólido, é só líquido.
No entanto, o problema todo é que o líquido parece sólido, e não é nem branco, nem preto.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Sabe aquela obsessãozinha nossa de cada dia? O lugar dela é aqui.
Reparo que todos hoje em dia se acham super normais, com todas as suas manias e esquisitices. Até que de certa forma eles estão certos, porque anormal é não ter nada disso.
Outro dia conheci um cara de meia idade de barbas longas que vestia um sobretudo pesado e cinza. Ele estava parado na porta de uma igreja recitando versos ao luar enquanto segurava uma linda rosa vermelha em uma das mãos. Ao ver aquela figura tão interessante, me aproximei para ouvir as suas palavras, e ele dizia assim:
"Cadeira, mesa, sapato
Rádio, jornal e revista
Ligo a tv, ouço o rádio
Pra gente espantar a preguiça"
Me aproximei com todo cuidado para não quebrar a beleza daquele fenômeno e perguntei:
- Cavalheiro, a quem tu destinas os teus versos?
E ele respondeu:
- À Dama da minha noite que jaz do outro lado da rua, invisivelmente na calçada.
Outro dia conheci um cara de meia idade de barbas longas que vestia um sobretudo pesado e cinza. Ele estava parado na porta de uma igreja recitando versos ao luar enquanto segurava uma linda rosa vermelha em uma das mãos. Ao ver aquela figura tão interessante, me aproximei para ouvir as suas palavras, e ele dizia assim:
"Cadeira, mesa, sapato
Rádio, jornal e revista
Ligo a tv, ouço o rádio
Pra gente espantar a preguiça"
Me aproximei com todo cuidado para não quebrar a beleza daquele fenômeno e perguntei:
- Cavalheiro, a quem tu destinas os teus versos?
E ele respondeu:
- À Dama da minha noite que jaz do outro lado da rua, invisivelmente na calçada.
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